Outubro rosa e estética oncológica – O resgate da autoestima nos pacientes em tratamento contra o câncer.

Outubro rosa e estética oncológica – O resgate da autoestima nos pacientes em tratamento contra o câncer.

Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização, principalmente do público feminino para a prevenção do câncer de mama. Foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. A partir desta data começou a ser celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. 

O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), a cada ano surgem cerca de 25% de novos casos. Em nosso país esse número sobe para 29%. A estimativa para o ano de 2019 são de 59.700 casos novos de câncer de mama no Brasil

As formas de tratamento são: a retirada parcial ou total das mamas e/ou quimioterapia e radioterapia. Como seios estão associados à feminilidade, sensualidade e beleza, sua retirada costuma causar um impacto na autoestima das mulheres que se submetem ao procedimento. A continuidade do tratamento com a quimio ou radioterapia não são menos traumatizantes. Os dois possuem diversos efeitos colaterais, principalmente em estruturas como cabelos, pele e unhas. A queda capilar é o efeito mais conhecido, e há anos compensado com o uso de próteses, que hoje podem ser encontradas com uma aparência muito natural. 

O uso de maquiagem para disfarçar a perda de cílios e sobrancelhas também é comum e traz muitos benefícios, principalmente emocionais. Além disso, ajuda a amenizar o aspecto abatido causado pela radiação e os quimioterápicos.

A pele dos pacientes costuma apresentar-se mais sensível, com dermatites, ressecada, podendo levar ao surgimento de hipercromias. Mas até pouco tempo atrás a maioria dos procedimentos para tratá-la eram contraindicados porque profissionais da estética e médicos não possuíam informações suficientes que garantissem a segurança do paciente na aplicação de determinadas técnicas.

Para atender essa demanda, as indústrias de cosméticos e equipamentos, e profissionais da área realizaram pesquisas que deram origem ao que conhecemos como estética oncológica. 

Procedimentos como hidratação e nutrição possibilitaram a redução da aspereza, do ressecamento, devolveram o viço e a elasticidade da pele. Reduzindo o aparecimento das dermatites, das linhas de expressão, das estrias e das manchas.

Massagens relaxantes também entraram nos cuidados paliativos. A técnica aumenta a liberação dos chamados “hormônios de bem-estar” que amenizam as dores e diminuem a ansiedade. 

Entre os principais protocolos oferecidos, destaca-se a drenagem linfática. Antes contraindicada sob o pretexto de que poderia causar metástase, o procedimento reconhecido pela eficácia na redução de celulite ganhou seu espaço na estética oncológica. Estudos demonstraram uma diminuição em efeitos colaterais como edema, aumentando o conforto do paciente durante a locomoção. 

Os cosméticos aplicados nesses casos devem possuir características específicas. Devido à sensibilidade da pele evite produtos com base alcoólica e dê preferência às emulsões cremosas à base de óleos vegetais. Derivados de petróleo como óleos minerais, parafina e vaselina; conservantes como propilenoglicol, parabenos e derivados de formol (imidazolidinil urea) devem ser evitados. Prefira cosméticos sem fragrâncias e corantes, os chamados hipoalergênicos. 

Todos esses cuidados não se referem apenas à aparência. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida é “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. O INCA destaca que as taxas de mortalidade estão fortemente relacionadas ao acesso aos serviços de saúde e à qualidade da assistência que é ofertada às mulheres com câncer de mama. Sendo assim, a autoestima é um dos indicadores mais importantes para o bem-estar psicológico e para uma boa saúde mental, contribuindo de maneira singular para o sucesso do tratamento.  

  • Solicite sempre autorização do profissional responsável pelo seu tratamento antes de iniciar qualquer tratamento

 

Profª Marcia Pires

@mpiresestetica

Esteticista, bióloga e cosmetóloga

Docente do Senac – SP